domingo, 24 de julho de 2011

Crônica de um amor anunciado


Toda pessoa apaixonada é um publicitário em potencial. Não anuncia cigarros, hidratantes ou máquinas de lavar, mas anuncia seu amor, como se vivê-lo em segredo diminuísse sua intensidade.

O hábito começa na escola. O caderno abarrotado de regras gramaticais, fórmulas matemáticas e lições de geografia, e lá, na última página, centenas de corações desenhados com caneta vermelha. Parece aula de ciências, mas é introdução à publicidade. Em breve se estará desenhando corações em árvores, escrevendo atrás da porta do banheiro e grafitando a parede do corredor: Suzana ama João.

A partir de uma certa idade, a veia publicitária vai tornando-se mais discreta. Já não anunciamos nossa paixão em muros e bancos de jardim. Dispensa-se a mídia de massa e parte-se para o telemarketing. Contamos por telefone mesmo, para um público selecionado, as últimas notícias da nossa vida afetiva. Mas alguns não resistem em seguir propagando com alarde o seu amor. Colocam anúncios de verdade no jornal, geralmente nos classificados: Kika, te amo. Beto, volta pra mim. Everaldo, não me deixe por essa loira de farmácia. Joana, foi bom pra você também?

O grau máximo de profissionalismo é atingido quando o apaixonado manda colocar sua mensagem num outdoor em frente a casa da pessoa amada. O recado é para ela, mas a cidade inteira fica sabendo que alguém está tentando recuperar seu amor. Em grau menor de assiduidade, há casos em que apaixonados mandam despejar de um helicóptero pétalas de rosas no endereço do namorado, ou gastam uma fortuna para que a fumaça de um avião desenhe as iniciais do casal no céu. A criatividade dos amantes é infinita.

O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado.

Martha Medeiros

sábado, 23 de julho de 2011


"Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é porque você não consegue lidar com os seus limites. A rejeição é um processo de ver-se. 
Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um objeto. Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu não tenho o direito de fazer do outro uma representação daquilo que me falta. Isso não é amor, isso é coisa de criança. "

Pe Fábio de Melo



"É possível repousar sobre qualquer dor de qualquer desventura, menos sobre o arrependimento. No arrependimento não há descanso nem paz, e por isso é a maior ou a mais amarga de todas as desgraças."
(Giacomo Leopardi)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

As duas vizinhas


Havia duas vizinhas que vivam em pé de guerra. Não podiam se encontrar na rua que era briga na certa.
Um dia, dona Maria descobriu o verdadeiro valor da amizade e resolveu que iria fazer as pazes com dona Clotilde.
Ao se encontrarem na rua, muito humildemente, disse dona Maria:
- Minha querida Clotilde, já estamos nessa desavença há anos e sem nenhum motivo aparente. Estou propondo para você que façamos as pazes e vivamos como duas boas e velhas amigas.
Dona Clotilde, na hora estranhou a atitude da velha rival, e disse que iria pensar no caso. Pelo caminho foi matutando:
- Essa dona Maria não me engana, está querendo me aprontar alguma coisa e eu não vou deixar barato. Vou mandar-lhe um presente para ver sua reação.
Chegando em casa, preparou uma bela cesta de presentes, cobrindo-a com um lindo papel, mas encheu-a de esterco de vaca.
- "Eu adoraria ver a cara da dona Maria ao receber esse 'maravilhoso' presente. Vamos ver se ela vai gostar dessa".
Mandou a empregada levar o presente a casa da rival, com um bilhete:
- "Aceito sua proposta de paz e para selarmos nosso compromisso, envio-te esse lindo presente".
Dona Maria estranhou o presente, mas não se exaltou.
- Que ela esta propondo com isso? Não estamos fazendo as pazes? Bem, deixa pra lá.
Alguns dias depois dona Clotilde atende a porta e recebe uma linda cesta de presentes coberta com um belo papel.
- É a vingança daquela asquerosa da Maria. Que será que ela me aprontou?
Qual não foi sua surpresa ao abrir a cesta e ver um lindo arranjo das mais belas flores que podiam existir num jardim, e um cartão com a seguinte mensagem:
- "Estas flores é o que te ofereço em prova da minha amizade. Foram cultivadas com o esterco que você me enviou e que proporcionou excelente adubo para meu jardim.

" AFINAL, CADA UM DÁ O QUE TEM EM ABUNDÂNCIA EM SUA VIDA "

quarta-feira, 20 de julho de 2011



"Não entendo a tristeza como ausência de felicidade. Acho que elas coexistem. Somos felizes e tristes. Felizes porque tentamos entender a nossa missão. Tristes porque assim tem de ser. A tristeza nos empresta respeito ao outro e percepção mais aguçada da dor. Talvez tristeza seja ausência de alegria, de riso fácil, não de felicidade."


Pe Fábio de Melo

domingo, 17 de julho de 2011

Curió

Ao meu querido curió, que me foi roubado nesta triste manhã de domingo...



Pequeno Curió,
sentado ao galho da árvore,
cantando canções que me levam longe
e me transportam para qualquer lugar,
desde que seja tranquilo, 
desde que seja lar.

Canta pequeno Curió,
canções que me façam chorar,
mesmo que de alegria,
mesmo que de saudade,
mesmo que eu não saiba.

Pequeno Curió,
fique comigo mais um instante,
alivia a dor de minhas lembranças,
a intensidade de minhas saudades,
até que eu possa novamente descansar.

Fique pequeno Curió,
mas se fores, volte,
me conte sobre os lugares que foi,
cante novas canções que aprendeu,
letras de amores que viveu.

Volta pequeno Curió,
não demores a voltar,
sinto uma dor intensa,
uma saudade triste
por não te ouvir cantar.

Fico na gaiola,
esperando Curió voltar,
quem sabe um dia eu cante,
canções de esperança e liberdade,
e quando estiver livre,
cante muito mais alto
para nunca mais parar.

Thiago Azevedo





"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros." (Clarice Lispector)

sábado, 16 de julho de 2011


"Fico muito assustado com as múltiplas faces da agressividade humana.
Uma delas é a inveja.
A inveja é muito pior que a cobiça.
O invejoso não suporta o sucesso alheio e, por isso, vive para negá-lo.
É muito mais fácill suportar o sofrimento alheio do que a alegria.
Nossa alegria só é suportável para as pessoas que verdadeiramente nos amam.

(...)

Costumamos dizer que reconhecemos os grandes amigos no momento de nosso sofrimento, mas não é verdade.
Os verdadeiros amigos são aqueles que suportam a duração de nossas alegrias.
O sofrimento é uma realidade que nos congrega com mais profundidade.
O sofrimento do outro nos acorda para a verdade de nossa condição.
Somos fragéis!
E ao encontrar o outro mergulhado em sua dor, é natural que brote em nós a compaixão.
A dor que dói no outro é uma janela de onde eu me enxergo.
Não posso vê-lo sofrer sem nele identificar minha inegável condição de fragilidade..."


"Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que eu não tenho tido tempo de chorar."  

 (Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 15 de julho de 2011


"E estando unido a ti, esquecer-me de mim. Concedei que eu fique eternamente assim."

(Majestosa Eucaristia- Anjos de Resgate)

quarta-feira, 13 de julho de 2011



Cada vez que você faz uma opção está transformando sua essência em alguma coisa um pouco diferente do que era antes.
(C.S.Lewis)

quarta-feira, 6 de julho de 2011



A tempestade vai passar,pois sobre as ondas confiante andarei...

Tribulações, vencerei. As aflições superarei!
Deus provê,eu sei que proverá!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

SOLIDÃO


Estar só é diferente de sentir-se só.
Você pode estar sozinho mas não sentir-se só. Agora você pode estar na companhia de muitas pessoas e mesmo assim sentir-se só.
O estar sozinho é passageiro, são aqueles momentos em que você está sem a companhia de alguém e vai depender de você se nesse momento você vai sentir-se só. Se você souber aproveitar essas horas de solidão para crescimento interior, você não se sentirá só e vai até mesmo sentir prazer nessa solidão. Agora se você evita esse contato consigo mesmo, buscando sempre do lado de fora preencher esses momentos de solidão, você corre o risco de sentir-se só e poderá até mesmo tornar crônica a sua solidão.
Aproveite seus momentos de solidão para entrar em contato consigo mesmo e com Deus. Nessa hora em que você está só, sem a companhia de outras pessoas experimente fechar todos os seus sentidos para o mundo exterior e abri-los para o seu mundo interior. Nesse momento você vai perceber quanta riqueza existe dentro de você e que apesar da solidão do momento, você nunca se sentirá só.

LEIA ESTA ESTÓRIA 
Recolha-se num rochedo para se renovar
Uma velha águia estava nas montanhas e com tristeza admirava o vôo leve e harmonioso das outras águias. Notando a tristeza da sua colega, uma delas pousou ao lado dela e perguntou-lhe qual era o motivo de tanta tristeza. 
Ela respondeu: - Estou aqui observando e pensando a facilidade que as águias tem de voar e como seus vôos são harmoniosos e bonitos. Eu também já fui assim: ágil e esperta como vocês. Porém hoje, já aos quarenta anos me sinto velha e cansada. Meu bico está torto e já não serve mais como presa para pegar o meu alimento. Minhas unha estão fracas e quebradiças e minhas penas grossas e pesadas, fazendo com que eu voe com dificuldade e canse rapidamente. 
A outra águia falou: - Você pode não acreditar, mas eu já passei dos quarenta. 
- Como assim?! Perguntou com espanto a velha águia.
 - Bem, eu vou lhe explicar: - Nós, águias temos a chance de viver até os 70 anos de idade. Mas para chegar a essa idade precisamos aos quarenta anos passar por um doloroso processo de renovação. Pois as águias nessa idade ficam assim como você está agora com as unhas compridas e flexíveis e já não consegue mais agarrar suas presas, tendo assim dificuldade para se alimentar. Seu bico alongado e pontiagudo torna-se curvado e suas asas envelhecidas e pesadas dificultam o seu vôo. Nesse momento de nossa existência só temos duas alternativas. Morrer ou enfrentar o processo de renovação.  
- Por favor continue – falou a velha águia – quero saber como posso fazer essa renovação.
 E a águia prosseguiu: - Vá para um rochedo onde você possa estar só. Lá você deve bater com seu bico curvado até arrancá-lo e assim dar lugar para que nasça novamente um bico fino e pontiagudo. Tendo um bico novo passe para a próxima etapa que é usar esse bico para arrancar suas velhas unhas para que nasça unhas novas e firmes e então com as unhas firmes retire as suas penas grossas e pesadas permitindo surgirem penas novas. E assim toda renovada você estará pronta para viver mais trinta anos. Assim como eu.  
A velha águia depois de ouvir tudo com muita atenção, agradeceu a colega e alçoou seu vôo solitário para também passar pelo processo de renovação.
É no momento de solidão que temos a chance de nos renovar.

Não troco a minha fé. 

Não troco a minha fé por outra fé.
Não troco minha paz por outra paz.
Não deixo a minha santa religião por outra que garanta a salvação agora e já!
Respeito quem não crê como acredito, e peço que também os abençoes, meu Senhor.
Sou santo e pecador,
E minha Igreja também é.
Porém não troco a minha fé por outra fé!
Aceito questionar a minha fé aceito questionar a minha paz; e sei que a minha santa religião tem muito o que aprender e mais ainda que mudar. Mas fico onde estou, porque acredito e luto pra mudar a minha Igreja pra melhor.
Católico eu serei com muito orgulho e muito amor. Não vou deixar a minha Igreja, não senhor.
(Padre Zezinho)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Você é uma pessoa estressada?


Quando nos sobrecarregamos demais com as atividades do dia a dia, chega uma hora que um simples fato é suficiente para nos desestruturar emocionalmente.
É como a estória abaixo:
QUANDO UMA PENA PESA MAIS QUE UMA BAGAGEM 

Um homem estava de mudança. Para transportar seus objetos de uso pessoal, precisou alugar um camelo, que era o meio de transporte mais usado naquela região. Ao escolher o animal, obteve ótimas informações do dono: aquele era um camelo forte, capaz de transportar uma grande carga durante longas viagens.
Satisfeito, o homem levou o animal para casa e começou a carregá-lo: tapetes, utensílios de cozinha, baús de roupas...o animal ficou realmente sobrecarregado. Muito cansado, o homem resolveu dormir para iniciar a viagem no dia seguinte, deixando o pobre animal passar a noite com todo aquele peso, sem poder comer, nem dormir. Quando acordou, verificou se não estava esquecendo de nada e partiu. No caminho lembrou-se de que havia esquecido uma pena azul, presente de estimação de sua falecida mãe. Voltou então para buscá-la. Ao colocar a pena em cima do animal, este caiu por terra e morreu. Furioso, o homem voltou ao dono do camelo e disse-lhe: - Você me enganou dizendo que aquele animal era forte e suportaria muito peso! Porém não foi capaz de agüentar o peso de uma simples pena! 
Na viagem da vida temos força suficiente para carregarmos bagagens de todo tipo e chegarmos ao nosso destino. Porém, é necessário conhecer e respeitar os nossos limites, a fim de perceber a hora certa de renovar as nossas forças e prosseguir o caminho. Do contrário, uma simples pena será o suficiente para nos derrotar e interromper a nossa viagem. Portanto, é preciso tomar cuidado e evitar sobrecargas.
Responda SIM ou NÃO as questões abaixo:
1. Você é uma pessoa muito agitada?
2. Fica irritado quando está numa fila?
3. Tamborila os dedos quando está nervoso?
4. Balança as pernas quando está sentado?
5. Sente-se sempre com um bolo no estômago?

6. Vive com um nó na garganta?
7. Come compulsivamente, ou tem perdas de apetite?
8. Quando está escutando alguém falar, não tem paciência de esperar a pessoa terminar e já completa a frase?
9. Sente-se inquieto sem motivo?
10. Tem taquicardia ou medo de doenças cardíacas?
11. Cora o rosto com facilidade?
12. Fica irritado quando é criticado?
13. Fica ofendido quando alguém lhe coloca defeito?
14. Mesmo dormindo o suficiente sente-se cansado?
15. Está sempre mexendo com alguma coisa quando está parado?
16. É impaciente no trânsito? Buzina com freqüência?
17. Faz as coisas sempre de última hora e não com antecedência?
18. Tem dores de cabeça, na coluna ou no pescoço?
OBS: Quanto maior o número de SIM, maior será o seu estresse.


Dicas práticas para evitar o estresse:
• Redimensione o tempo que você dedica para cada coisa.
• Inclua na sua rotina exercícios físicos
• Envolva-se em atividades de lazer.
• Eleja um hobby capaz de lhe proporcionar satisfação pessoal.
• Procure ser menos detalhista e mais objetivo nas suas atividades.

Ande mais leve. Desligue-se de tudo o que é excesso.
Quando não respeitamos nossos limites, podemos ser limitados pelo estresse.

Você realiza seus sonhos?


Você acredita que pode realizar seus sonhos, suas metas?

Você tem sonhos que acha serem impossíveis de realizar?Você espera que os outros realizem os seus sonhos ou procura fazer sempre a sua parte? Para se realizar um sonho, é preciso desejar e acreditar que ele possa ser realizado.  Muitas vezes pensamos que certos desejos que existem em nosso coração, são coisas difíceis de serem realizadas e então cruzamos os braços e esquecemos o nosso sonho. É importante considerar que por mais impossível que nos pareça ser esse sonho, podemos sempre fazer a nossa parte.


Faça sempre a sua parte
Um incêndio de grandes proporções tomou conta de toda a floresta, deixando todos os bichos alvoroçados: uns corriam de um lado para o outro sem saber o que fazer; outros procuravam um abrigo para se protegerem do fogo; outros ainda tentavam fugir do local. Um elefante que em meio à confusão, tudo observava, avistou uma cena curiosa: um beija flor, com seu delicado bico, pegava gotinhas de água depositada em uma flor e voava em direção ao fogo para ir derramá-las sobre as labaredas. Diante daquela cena, o elefante aproximou-se do beija flor, dizendo: - Meu amigo, você não percebe que o que está fazendo de nada vai adiantar? Seu bico é muito pequeno, e você jamais vai conseguir apagar esse incêndio. Aliás, nem mesmo eu, com esta tromba enorme, posso apagá-lo! - Ao que o beija flor respondeu: - Você tem razão, eu sozinho não posso apagar esse incêndio. Você sozinho também não pode. Mas, se nos juntarmos, aí sim poderemos. Quanto a mim, vou continuar fazendo a parte que me cabe, pois é só o que posso fazer. - Ouvindo isso o elefante animou-se e decidiu colaborar. Encheu a sua tromba e foi despejar a água nela armazenada nos locais onde havia fogo. Logo a bicharada toda passou a imitá-lo, levando água para apagar o incêndio. No final, conseguiram vencer as labaredas e a paz voltou a reinar naquela floresta.

O beija flor estava consciente de que sua parte, ainda que parecesse insignificante, era importante, por isso não deixou de agir.Para realizarmos as nossas metas é importante fazer sempre a nossa parte. Independente do outro fazer ou não a dele.

Dicas práticas para que você possa realizar os seus sonhos, ou seja as suas metas:


• Faça uma lista dos seus desejos que ainda não conseguiu realizar. 
• Analise se ele depende só de você ou depende de outra pessoa. 
• Conscientize-se de que você pode fazer a sua parte, porém não pode obrigar o outro a fazer a dele, portanto os sonhos possíveis de serem realizados são aqueles que dependem de nós.
 • Comece sempre pelas pequenas coisas para chegar as grandes. No início faça o imprescindível, depois o possível. E de repente estará fazendo o impossível (São Francisco de Assis). 
Lembre-se que Deus jamais coloca no coração do homem um desejo que não possa ser realizado, dizia Santa Teresinha do Menino Jesus.

Frase chave:
Uma visão sem uma ação, não passa de um sonho.
Uma ação sem visão, não passa de um passatempo.Uma visão com uma ação pode modificar o mundo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Parada Gay: Respeitar e ser respeitado

Eu não queria escrever sobre esse assunto; mas diante das provocações e ofensas ostensivas à comunidade católica e cristã, durante a Parada Gay deste último domingo, não posso deixar de me manifestar em defesa das pessoas que tiveram seus sentimentos e convicções religiosas, seus símbolos e convicções de fé ultrajados.

Ficamos entristecidos quando vemos usados com deboche imagens de santos, deliberadamente associados a práticas que a moral cristã desaprova e que os próprios santos desaprovariam também. Histórias romanceadas ou fantasias criadas para fazer filmes sobre santos e personalidades que honraram a fé cristã não podem servir de base para associá-los a práticas alheias ao seu testemunho de vida. São Sebastião foi um mártir dos inícios do Cristianismo; a tela produzida por um artista cerca de 15 séculos após a vida do santo, não pode ser usada para passar uma suposta identidade homossexual do corajoso mártir. Por que não falar, antes, que ele preferiu heroicamente sofrer as torturas e a morte a ultrajar o bom nome e a dignidade de cristão e filho de Deus?!

"Nem santo salva do vírus da AIDS". Pois é verdade. O que pode salvar mesmo é uma vida sexual regrada e digna. É o que a Igreja defende e convida todos a fazer. O uso desrespeitoso da imagem dos santos populares é uma ofensa aos próprios santos, que viveram dignamente; e ofende também os sentimentos religiosos do povo. Ninguém gosta de ver vilipendiados os símbolos e imagens de sua fé e seus sentimentos e convicções religiosas. Da mesma forma, também é lamentável o uso desrespeitoso da Sagrada Escritura e das palavras de Jesus - "amai-vos uns aos outros" - como se ele justificasse, aprovasse e incentivasse qualquer forma de "amor"; o "mandamento novo" foi instrumentalizado para justificar práticas contrárias ao ensinamento do próprio Jesus.

A Igreja católica refuta a acusação de "homofóbica". Investiguem-se os fatos de violência contra homossexuais, para ver se estão relacionados com grupos religiosos católicos. A Igreja Católica desaprova a violência contra quem quer que seja; não apoia, não incentiva e não justifica a violência contra homossexuais. E na história da luta contra o vírus HIV, a Igreja foi pioneira no acolhimento e tratamento de soro-positivos, sem questionar suas opções sexuais; muitos deles são homossexuais e todos são acolhidos com profundo respeito. Grande parte das estruturas de tratamento de aidéticos está ligada à Igreja. Mas ela ensina e defende que a melhor forma de prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis é uma vida sexual regrada e digna.

Quem apela para a Constituição Nacional para afirmar e defender seus direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição garante o respeito aos direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas. Quem luta por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar. Como cristãos, respeitamos a livre manifestação de quem pensa diversamente de nós. Mas o respeito às nossas convicções de fé e moral, às organizações religiosas, símbolos e textos sagrados, é a contrapartida que se requer.

A Igreja Católica tem suas convicções e fala delas abertamente, usando do direito de liberdade de pensamento e de expressão. Embora respeitando as pessoas homossexuais e procurando acolhê-las e tratá-las com respeito, compreensão e caridade, ela afirma que as práticas homossexuais vão contra a natureza; essa não errou ao moldar o ser humano como homem e mulher. Afirma ainda que a sexualidade não depende de "opção", mas é um fato de natureza e dom de Deus, com um significado próprio, que precisa ser reconhecido, acolhido e vivido coerentemente pelo homem e pela mulher.

Causa preocupação a crescente ambiguidade e confusão em relação à identidade sexual, que vai tomando conta da cultura. Antes de ser um problema moral, é um problema antropológico, que merece uma séria reflexão, em vez de um tratamento superficial e debochado, sob a pressão de organizações interessadas em impor a todos um determinado pensamento sobre a identidade do ser humano. Mais do que nunca, hoje todos concordam que o desrespeito às leis da natureza biológica dos seres introduz neles a desordem e o descontrole nos ecossistemas; produz doenças e desastres ambientais e compromete o futuro e a sustentabilidade da vida. Ora, não seria o caso de fazer semelhante raciocínio, quando se trata das leis inerentes à natureza e à identidade do ser humano? Ignorar e desrespeitar o significado profundo da condição humana não terá consequências? Será sustentável para o futuro da civilização e da humanidade?

As ofensas dirigidas não só à Igreja Católica, mas a tantos outros grupos cristãos e tradições religiosas não são construtivas e não fazem bem aos próprios homossexuais, criando condições para aumentar o fosso da incompreensão e do preconceito contra eles. E não é isso que a Igreja Católica deseja para eles, pois também os ama e tem uma boa nova para eles; e são filhos muito amados pelo Pai do céu, que os chama a viver com dignidade e em paz consigo mesmos e com os outros.

***
Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 28.06.2011
Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

Quem deve ensinar a criança a rezar: a família ou o catequista?

   Uma senhora, querendo que seu filho fizesse a primeira Comunhão, levou-o à comunidade e colocou-o num grupo de catequese. Sentiu-se aliviada, até com a consciência mais leve. Pensou que estava livre dessa responsabilidade e continuou com seus outros compromissos. Justificou todas as suas ausências nos encontros de pais, quando eram estudados assuntos para aperfeiçoar seus conhecimentos e sua prática cristã.

        Um dia, sem querer, percebeu que seu filho não estava aprendendo as coisas que ela esperava. Não havia aprendido nem mesmo a rezar. “A catequese de hoje em dia é relaxada”, pensou ela. E foi reclamar.
        Falou diretamente com o padre: “Meu filho já está freqüentando a catequese há três meses e não conseguiu aprender nem o Pai Nosso. O que o senhor acha disso?”
        O padre perguntou: “Quantos anos tem seu filho?”.
        Respondeu a mãe: ”Onze anos”.
        O padre refletiu: ”Durante onze anos a senhora não conseguiu ensinar o Pai Nosso para seu filho. E agora está reclamando porque a catequista não o fez aprender em três meses?”
        O pai e a mãe são as pessoas mais próximas dos filhos nos primeiros anos de vida. Ninguém melhor do que as pessoas da própria família para ensinar os elementos básicos da fé. As orações aprendidas no início da vida jamais são esquecidas.
        Contudo, mais importante do que ensinar orações prontas é ensinar o  hábito da oração diária. O diálogo com Deus é uma atitude essencial na vida de toda pessoa. Numa família que reza, naturalmente as crianças aprendem a rezar. Se a família não tem o hábito da oração... Não será fácil ao catequista, mais tarde, despertar no catequizando o desejo de Deus!
        Quais os momentos de oração na família? A que programas de televisão costuma assistir? Quando participa unida da celebração da comunidade? Como participa nos movimentos ou grupos da comunidade? As respostas a tais questões são importantes para a família avaliar sua contribuição para a educação de seus filhos na fé.

                        Irmã Cláudia Corteze ( Equipe do ECOando)