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domingo, 9 de novembro de 2014

Oração pelas almas.

Oração para o domingo
Senhor e Deus onipotente, suplico-vos que, pelo precioso sangue que vosso Filho derramou no horto, livreis as almas do purgatório e, em especial, as que estão mais esquecidas, conduzindo-as ao descanso eterno para que ali vos louvem e bendigam eternamente. Amém.
Oração para a segunda-feira
Senhor e Deus onipotente, suplico-vos que pelo precioso sangue que vosso santíssimo Filho derramou na sua flagelação, livreis as almas do purgatório e, em especial, as que estão próximas do Céu, para que comecem a louvar-vos e bendizer-vos eternamente. Amém.
Oração para a terça-feira
Senhor e Deus onipotente, suplico-vos que, pelo precioso sangue que vosso santíssimo Filho derramou na sua coroação de espinhos, livreis as almas do purgatório e, em especial, a que teria de ser a última a sair desse lugar de tormentos, para que desde já comece a louvar-vos e bendizer-vos eternamente no céu. Amém.
Oração para a quarta-feira
Senhor Deus onipotente, suplico-vos que, pelo precioso sangue que vosso santíssimo Filho derramou nas ruas de Jerusalém, quando ia com a cruz às costas, livreis as almas do purgatório e, em especial, as mais ricas em méritos, para que, do excelso trono de glória que as espera, vos louvem e bendigam eternamente. Amém.
Oração para a quinta-feira
Senhor e Deus onipotente, suplico-vos que, pelo santíssimo corpo e preciosíssimo sangue que vosso divino Filho, na noite de sua Paixão, deu em comida e bebida a seus apóstolos e deixou a toda Igreja em sacrifício perpétuo e salutar alimento dos fiéis, livreis as almas do purgatório e, em especial, a mais devota deste mistério de amor, para que, por ele, vos louve com o vosso divino Filho e com o Espírito Santo na eterna glória. Amém.
Oração para a sexta-feira
Senhor e Deus onipotente, suplico-vos que, pelo precioso sangue que vosso santíssimo Filho derramou na cruz, especialmente de seus sacratíssimos pés e mãos, livreis as almas do purgatório e, em particular, aquelas por quem tenho maior obrigação de pedir, para que não estejam sofrendo por minha culpa, nem impedidas de louvar-vos e bendizer-vos eternamente. Amém.
Oração para o sábado

Senhor e Deus onipotente, suplico-vos que, pelo precioso sangue que correu do sagrado lado de vosso santíssimo Filho, em presença e com grande dor de sua Santíssima Mãe, livreis as almas do purgatório e, em especial, a que foi mais devota desta Senhora, para que em breve vos entoe cânticos de louvor pelos séculos dos séculos. Amém.

domingo, 2 de novembro de 2014

INDULGÊNCIAS

Indulgência tem a ver com graça, pecado, perdão, reconciliação e misericórdia. Ser indulgente é ter compaixão, ter misericórdia com alguém que falhou, errou, pecou.

            è Apesar de nossa reconciliação com Deus e a Igreja por meio da confissão sacramental, permanecem os “resíduos do pecado” e que não dependem exclusivamente de Deus. Na verdade, além do perdão de Deus, é preciso realizarmos a reconciliação plena conosco, com a natureza e com os outros. Exemplo: Se alguém rouba 100 reais de outra pessoa, ao pedir perdão, Deus perdoa, sim, mas permanece o “resíduo” do pecado, isto é, é preciso pedir perdão a quem foi lesado e devolver o dinheiro roubado. Quem difama caluniosamente o seu próximo, pode pedir e receber o perdão deste, mas fica obrigado a restaurar a honra da pessoa ofendida.
            A Igreja, como delegada de Deus para comunicar seu perdão, assume sua missão, e estabelece as condições, em casos especiais, para que, com o perdão de Deus, aconteça à eliminação dos resíduos do pecado, ou “penas temporais”.

            Reparamos as penas pelas INDULGÊNCIAS ou no PURGATÓRIO, e sem a reparação das penas não podemos entrar no Céu. São Tomás de Aquino nos ensina que “todos nós morremos com alguma pena e por isso, passamos pelo purgatório”.
            v A Igreja tem o poder de perdoar esta pena através das indulgências.
            v A indulgência é a remissão diante de Deus da pena temporal pelos pecados já perdoados no que se refere à culpa, que o fiel adquire mediante a intervenção da Igreja, a qual, como ministra da redenção, dispensa e aplica com autoridade o tesouro das expiações conquistadas por Cristo e pelos santos.
            v A indulgência é parcial ou plenária, dependendo de se libera somente uma parte ou toda a pena temporal causada pelos pecados.
           
            ♣ Ninguém pode oferecer a indulgência que adquire por pessoas que ainda vivem.
            ♣ As indulgências parciais ou plenárias podem ser aplicadas aos defuntos como sufrágio.
           
            é A indulgência plenária pode ser adquirida somente uma vez ao dia, com exceção em momento de morte. A indulgência parcial pode ser adquirida muitas vezes durante o dia, a não ser que se expresse o contrário.
           
            Z Para que alguém seja capaz de adquirir as indulgências requer-se que seja batizado, não esteja excomungado, esteja em estado de graça pelo menos no final das obras prescritas e seja súdito do que tem autoridade para concedê-las.
            Z Para que a pessoa, que é capaz de recebê-las, realmente as obtenha, deve ter a intenção, aos menos geral, de recebê-las, bem como a de realizar as obras prescritas, no tempo e do modo determinado pelo teor da concessão.
            Z Para conseguir a indulgência plenária é necessário realizar a obra aplicada com indulgência e cumprir três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Sumo Pontífice.
            Z Requer-se, além disso, que se elimine qualquer afeto ao pecado, ainda que seja venial.

            ♠ As três condições mencionadas (confissão, comunhão e oração) podem cumprir-se muitos dias antes ou depois de realizadas a obra prescrita; não obstante, convém que a comunhão e a oração pelas intenções do Sumo Pontífice, sejam feitas no mesmo dia em que se realiza a obra.
            ♠ A condição da oração pelas intenções do Sumo Pontífice se cumpre plenamente recitando um Pai-nosso e uma Ave-Maria por suas intenções; apesar disto, cada um dos fiéis tem a liberdade de recitar outras orações, de acordo com a sua piedade e as sua devoções particulares.

            Y As indulgências são momentos de muitas graças. Ao recebermos uma indulgência plenária estamos iguais ao momento do nosso batismo, ou seja, totalmente repletos da graça santificante de Deus.
            Y As penas temporais também são pagas, neste mundo, mediante os sofrimentos, dificuldades e tristezas desta vida.

OBRAS E ORAÇÕES INDULGENCIADAS

INDULGÊNCIA PARCIAL:
● Inspirai, ó Deus; Ato de fé; Ato de esperança; Ato de caridade; Ato de contrição; Ó Deus verdadeiro; Aqui estamos; A vós, São José; Ação de graças pelos benefícios; Santo Anjo; Anjo do Senhor e Rainha do Céu; Alma de Cristo: (ação de graças depois da missa); Creio; Salve, Rainha; Santa Maria socorrei os pobres; Das profundezas  (Sl 129 [130]); Miserere (Tende piedade)  (Sl 50 [51]); Magnificat; Ouvi-nos; Senhor Deus todo-poderoso; Oração pelas vocações sacerdotais e religiosas; Oração mental; Oremos pelo Pontífice; Ó sagrado banquete; Ladainhas; Maria, ó Mãe da graça; Lembrai-vos; Prece pela unidade dos cristãos; dai-lhes, Senhor; Retribuí, Senhor; Santos Apóstolos Pedro e Paulo; À vossa proteção; Vinde, Espírito Santo; Visitai, Senhor; Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus: diante de uma imagem de crucificado, depois da comunhão em qualquer dia do ano; Dulcíssimo Jesus (Ato de reparação); Dulcíssimo Jesus, Redentor (Ato de consagração do gênero humano a Jesus Cristo Rei); Tão Sublime sacramento; A vós, ó Deus; Ó vinde, Espírito Criador;

● Adoração ao Santíssimo Sacramento: menos de meia hora;
● Visita ao cemitério: (somente às almas do purgatório), em qualquer dia do ano;
● Visita a cemitério de antigos cristãos ou “catacumba”;
● Comunhão espiritual;
● Ofício dos defuntos;
● Recolhimento mensal;
● Uso de objetos de piedade: indulgência parcial ao fiel que usa devotamente objetos de piedade, como crucifixo ou cruz, terço, escapulário, medalha, bentos ritualmente por qualquer sacerdote ou diácono.
● Renovação das promessas do batismo: ao fiel que renovar as promessas do batismo em qualquer formula de uso;
● Reza do Rosário de Nossa Senhora recitado particularmente;
● O culto aos Santos;
● Sinal da cruz;
● Ofícios breves;
● Novenas;
● Leitura espiritual da Sagrada Escritura: menos de meia hora;
● Doutrina cristã: ao fiel que se dedica a ensinar ou aprender a doutrina cristã.
● Participação na sagrada pregação: ao fiel que assistir atenta e devotamente à sagrada pregação da palavra de Deus;
● Visita pastoral: ao fiel que visitar piedosamente uma igreja ou oratório, quando aí se faz a visita pastoral;
● Visita às igrejas estacionais: ao fiel que visitar com devoção a igreja estacional em seu próprio dia;
● Piedosas invocações: alguns exemplos: Deus meu. Pai. Jesus. Louvado seja Jesus Cristo. Creio em vós, Senhor. Espero em vós. Eu vos amo. Eu vos agradeço. Bendito seja Deus. Venha a nós o vosso reino. Seja como Deus quiser. Ajudai-me, Senhor. Confortai-me. Ouvi-me. Atendei à minha oração. Salvai-me. Tende piedade de mim. Perdoai-me, Senhor. Não permitais separar-me de vós. Não me abandoneis. Ave, Maria. Glória a Deus nos céus.

INDULGÊNCIA PLENÁRIA:
● Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus: nas sextas-feiras da Quaresma, ao fiel que recitar piedosamente esta oração, diante de uma imagem de crucificado, depois da comunhão; Dulcíssimo Jesus (Ato de reparação) se recitar publicamente na solenidade do Sagrado Coração de Jesus; Dulcíssimo Jesus, Redentor (Ato de consagração do gênero humano a Jesus Cristo Rei) se recitar publicamente na solenidade de Jesus Cristo Rei; Tão sublime sacramento: na Quinta-feira da semana santa depois da missa da Ceia do Senhor, e na ação litúrgica da solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo; (A vós, ó Deus) recitado em público no último dia do ano; Ó vinde, Espírito Criador: no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes, se o hino se recitar publicamente;

●.Bênção papal: ainda que a benção se receba por rádio ou televisão;
● Adoração ao Santíssimo Sacramento: se o fizer por meia hora ao menos;
● Adoração da Cruz: na Sexta-feira da paixão e Morte do Senhor, toma parte piedosamente na adoração da Cruz da solene ação litúrgica;
● Visita ao cemitério: (somente às almas do purgatório), cada dia, de 1 a 8 de novembro;
● Primeira comunhão: aos fiéis que se aproximarem pela primeira vez da sagrada comunhão ou que assistem a outros que se aproximam;
● Primeira missa do neo-sacerdote: ao sacerdote que, em dia marcado, celebra sua primeira missa, diante do povo, e aos fiéis que devotamente a ela assistem;
● Jubileus de ordenação sacerdotal: ao sacerdote que, aos 25, 50, 60 anos de sua ordenação sacerdotal, renova diante de Deus o propósito de fidelidade aos deveres de sua vocação. Aos fiéis que assistirem à missa jubilar do sacerdote;
● Congresso eucarístico: participar com devoção do solene rito que costuma encerrar o congresso.
● Participação na sagrada pregação: ao fiel que, no tempo das santas missões, ouvir algumas pregações e participar, além disso, do solene encerramento das mesmas missões;
● Exercícios espirituais: ao fiel que faz os exercícios espirituais ao menos por três dias;
● Reza do Rosário de Nossa Senhora recitado na igreja ou oratório ou em família, na comunidade religiosa ou em piedosa associação;
● Leitura espiritual da Sagrada Escritura: se o fizer pelo espaço de meia hora pelo menos;
● Sínodo diocesano: visitar piedosamente a igreja em que o sínodo se reúne e aí recitar o Pai Nosso e o Creio;
● Piedoso exercício da VIA SACRA;
● Uso de objetos de piedade: Se o objeto de piedade for bento pelo Sumo Pontífice ou por um Bispo, o fiel que usa com devoção esse objeto pode ganhar a indulgência plenária na solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, acrescentando a profissão de fé com qualquer fórmula aprovada;
● Visita às basílicas patriarcais de Roma: aí recitar o Pai Nosso e o Creio: 1) no dia da festa do titular: 2) em qualquer festa de preceito. 3) uma vez no ano, em dia à escolha do fiel;
● Visita às igrejas estacionais: ao fiel que visitar com devoção a igreja estacional em seu próprio dia e , além disso, assistir as sagradas funções que pela manhã ou à tarde se celebram;
● Visita à igreja paroquial:  - na festa do titular; - a 2 de agosto;
● Visita à igreja ou altar no dia da dedicação ao fiel que visitar a igreja ou o altar no próprio dia da dedicação e aí piedosamente rezar o Pai- nosso e o Creio;
● Visita à igreja ou oratório na comemoração de todos os fiéis defuntos: indulgência plenária, aplicável somente às almas do purgatório  “se recitam a oração dominical e o símbolo dos apóstolos: Pai nosso e Creio”;
● Visita à igreja ou oratório de religiosos na festa do fundador e rezar o Pai Nosso e o Creio.
● Visita pastoral: ao fiel que visitar piedosamente uma igreja ou oratório, quando aí se faz a visita pastoral, e nesse mesmo tempo assistir a uma função sagrada e presidida pelo visitador;
● Renovação das promessas do batismo: se o fizer na celebração da Vigília Pascal ou no aniversário do seu batismo.
● Indulgência na hora da morte: O sacerdote que administra os sacramentos ao fiel em perigo de vida não deixe de lhe comunicar a benção apostólica com a indulgência plenária;

Condições para a Indulgência plenária (uma vez ao dia):
1 - Confessar-se e rejeitar todo pecado (uma Confissão para várias Indulgências)
2 – Participar da Missa e Comungar com o desejo de receber a Indulgência (uma Missa e Comunhão para cada indulgência).
3- Rezar pelo Papa ao menos: um Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

4 – Escolher uma das atividades mencionadas acima.

Dia de Finados

O dia de Finados é o dia que a Igreja nos convida a pensar em todos aqueles que já foram para a eternidade, e a olhar para isso à luz da fé.
Claro que é um momento difícil nós pensarmos na morte, naqueles que nos deixaram, mas à luz da fé nós podemos superar essa tristeza.
Se Deus permite que passemos pela morte, é porque Ele tem garantida a ressurreição de Jesus. Aqueles que acreditam em Jesus, que acreditam que Ele veio ao mundo para morrer numa cruz para nos salvar de nossos pecados, e assim abrir as portas do céu, então esses podem ser salvos, e viver a sua eternidade com Deus.

As orações pelos mortos

O Papa João Paulo II, no dia de finados de 1997, na Alocução mariana, disse:
“A tradição da Igreja exortou sempre a rezar pelos mortos. O fundamento da oração de sufrágio encontra-se na comunhão do Corpo Místico… Por conseguinte, recomenda a visita aos cemitérios, o adorno dos sepulcros e o sufrágio, como testemunho de esperança confiante, apesar dos sofrimentos pela separação dos entes queridos.” (LR, n. 45, de 10/11/91)
O Catecismo ensina que:
“Reconhecendo cabalmente esta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os tempos primevos da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos…”(CIC, § 958)
São João Crisóstomo (349-407), que foi patriarca de Constantinopla, doutor da Igreja, ensina a necessidade de rezar pelos mortos:
“Levemos-lhes socorro e celebremos a sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai (Jó 1,5), porque duvidar que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leva alguma consolação? Não hesitemos em socorrer aos que partiram e em oferecer as nossas orações por eles” (CIC, §1032; In I Cor 41,5 PG 61,361).
O mesmo São João Crisóstomo afirma que “os Apóstolos instituíram a oração pelos mortos e que esta lhes presta grande auxílio e real utilidade” ( In Philipp. III 4, PG 62, 204, citado na Revista Pergunte e Responderemos  n. 264, 1982, pp. 50-51).
É interessante notar que S. Paulo pede “que o Senhor conceda a Onesíforo encontrar misericórdia da parte do Senhor naquele dia!”( 2
Tm 1, 18). É uma oração por um defunto.
No início do século III, encontramos as Atas de Santa Perpétua de Cartago, na África, onde a mártir aparece orando por seu irmão Dinócrate, o qual morrera jovem: pedia que ele fosse transferido do lugar de padecimento em que se achava, para um “lugar de refrigério, de saciedade e de alegria”. Finalmente, viu Dinócrate, de coração puro, revestido de bela túnica, a gozar de refrigério, saciedade e alegria, como uma criancinha que sai da água e se dispõe a brincar. ( Passio, S. Perpétua VIIs; PR, idem)
Nesta mesma época, Tertuliano (?202), de Cartago, atesta o uso de sufrágios na liturgia oficial de Cartago, que era um dos principais centros do cristianismo no século III. Diz, por exemplo, que “durante a morte e o sepultamento de um fiel, fora beneficiado com a oração do sacerdote da Igreja”. ( De anima 51; PR, ibidem)
São Cipriano (?258), bispo de Cartago, refere-se à oferta do sacrifício eucarístico em sufrágio dos defuntos como costume recebido da
herança dos bispos seus antecessores ( cf. epist. 1,2). Nas suas epístolas é comum encontrar a expressão: “oferecer o sacrifício por alguém ou por ocasião dos funerais de alguém”. ( Revista PR, 264, 1982, pag. 50 e 51; PR ibidem)
Falando da vida de Cartago, no século III, afirma Vacandart:
“Podemos de certo modo conceber o que terá sido a vida religiosa de Cartago em meados do século III. Aí vemos o clero e os fiéis a cercar o altar… ouvimos os nomes dos defuntos lidos pelo diácono e o pedido de que o bispo ore por esses fiéis falecidos; vemos os cristãos… voltar para casa reconfortados pela mensagem de que o irmão falecido repousa na unidade da Igreja e na paz do Cristo.” (Revue de Clergé Français 1907 t. Lil 151; PR, ibidem)
Acreditando na Comunhão dos Santos, a Igreja desde sempre rezou pelos mortos.
A Didascalia, ou “doutrina” atribuída aos Doze Apóstolos, do início do século III, usado pelos cristãos da Síria, dizia:
“Ao fazerdes as vossas comemorações, reuni-vos, lede as Sagradas Escrituras… tanto em vossas assembléias quanto nos cemitérios. O pão duro que o pão tiver purificado e que a invocação tiver santificado, oferecei-o orando pelos mortos” (idem)Os chamados “Cânones de Hipólito” , que se referem à Liturgia do século III, contém uma rubrica sobre os mortos… “caso se faça memória em favor daqueles que faleceram…” (Canones Hippoliti, em Monumenta Ecclesiae Liturgica; PR, 264,1982)
Na primeira metade do século IV, o bispo Serapião de Thmuis, no Egito, compôs uma coletânea litúrgica, onde se pode ver a intercessão pelos irmãos falecidos:
“Por todos os defuntos dos quais fazemos comemoração, assim oramos: ‘Santifica essas almas, pois Tu as conheces todas; santifica todas aquelas que dormem no Senhor; coloca-as em meio às santas Potestades (anjos); dá-lhes lugar e permanência em teu reino’” (Journal of Theological Studies t. 1, p. 106; PR , 264,1982)
“Nós te suplicamos pelo repouso da alma de teu servo( ou de tua serva) N. ; dá paz a seu espírito em lugar verdejante e aprazível, e ressuscita o seu corpo no dia que determinaste”. (PR, 264,1982)
Ainda podemos encontrar nas Constituições Apostólicas, do fim do século IV, redigidas com base em documentos bem mais antigos, no livro VIII da coleção, o seguinte:
“Oremos pelo repouso de N. , afim de que o Deus bom, recebendo a sua alma, lhe perdoe todas as faltas voluntárias e , por sua misericórdia, lhe dê o consórcio das almas santas.”
No século III, Tertuliano (?220), já dava este testemunho: “A esposa roga pela alma do seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágios todos os dias aniversários de sua morte”( De Monogamia, 10).
Em todas as missas, em qualquer das formas da Oração Eucarística, a Igreja ora pelas almas:
“Lembrai-vos também dos que morreram na paz do vosso Cristo e de todos os mortos dos quais só vós conheceis a fé”( Oração Euc. IV)”Lembrai-vos também dos nossos irmãos e irmãs que morreram na esperança da ressurreição e de todos os que partiram desta vida: acolhei-os junto a vós na luz da vossa face.”(Or. Euc. II)
“Lembrai-vos dos nossos irmãos e irmãs … que adormeceram na paz do vosso Cristo, e de todos os falecidos, cuja fé só vos conhecestes: acolhei-os na luz da vossa face e concedei-lhes, no dia da ressurreição, a plenitude da vida.” (Or. Euc. VI-A)”Ó Pai, sabemos que sempre vos lembrais de todos. Por isso, pedimos por aqueles que nós amamos… e por todos os que morreram em vossa paz.”(Or. Euc. IX- crianças 1)cpa_o_que_sao_as_indulg_ncias
“A todos os que chamastes para a outra vida na vossa amizade, e aos marcados com o sinal da fé, abrindo os vossos braços,  acolhei-os. Que vivam para sempre bem felizes no reino que para todos preparastes.”(Or. Euc. V)
Nas Catequeses Mistagógicas, de S. Cirilo de Jerusalém (?386), assim ele diz:
“Enfim, também rezamos pelos santos padres e bispos e defuntos e por todos em geral que entre nós viveram; crendo que este será o maior auxílio para aquelas almas, por quem se reza, enquanto jaz diante de nós a santa e tremenda vítima”(Cat. Mist. 5, 9, 10, Ed. Vozes, 1977, p. 38)
“Da mesma forma, rezando nós a Deus pelos defuntos, ainda que pecadores, não lhe tecemos uma coroa, mas apresentamos Cristo morto pelos nossos pecados, procurando merecer e alcançar propiação junto a Deus clemente, tanto por eles como por nós mesmos.”(idem)
Desde os seus primórdios a Igreja acredita e  ensina a eficácia da oração de uns pelos outros, membros do mesmo corpo de Cristo.
Santo Ambrósio (340-397), bispo e doutor da Igreja de Milão, que batizou S.Agostinho,  no século IV já dava este testemunho:
“…assim como é redimido do pecado e purificado no homem interior, por algumas obras de todo o povo, aquele que é lavado pelas lágrimas do povo. Pois concedeu Cristo à sua Igreja, que por todos resgatasse um, ela que mereceu o advento do Senhor, para que por um só, todos fossem remidos” ( DI, ref. 29).Não só a Igreja ora pelos mortos, como também ensina que eles intercedem por nós. O nosso Catecismo afirma que:
“A nossa oração por eles [no Purgatório] pode não somente ajudá-los, mas também torna eficaz a sua intercessão por nós”. (CIC, § 958)
Os santos, especialmente os místicos,  invocavam as almas do purgatório. Que elas “nos obtenham a graça de voltar à amizade do Coração de Jesus…”, escreve Santa Margarida Maria Alacoque (Carta 480);  e ainda: “E a estas [almas] rogareis… que empreguem seu poder para nos conseguir  a graça de viver e morrer no amor e fidelidade ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo…” (desafio, 58).
Muitos teólogos, como o próprio São Roberto Belarmino (lib. 2 de Purgat. c. 4), de renome na Igreja, afirmam que a invocação das almas do purgatório é utilíssima. Em 1700, o Papa Clemente XI erigiu uma Confraria “Sub invocatione animarum purgatorii” (Sob a invocação das almas do purgatório)
Também o Papa João Paulo II confirma com o seu ensinamento esta verdade:
“… Igreja do Céu, Igreja da Terra e Igreja do Purgatório estão misteriosamente unidas nesta cooperação  com Cristo para reconciliar o mundo com Deus.” (Reconciliatio et poenitentia, 12)
Falando da Confissão o Papa diz:
“… é inegável a dimensão social deste sacramento, no qual é toda a Igreja – militante (na terra), a padecente (no Purgatório), e a triunfante (no Céu) – que intervém em auxílio do penitente e o acollhe de novo em seu seio, tanto mais que toda a Igreja fora ofendida e ferida pelo seu pecado”. (RP, 31, IV)
Em outra ocasião o Papa ensinou que:
“Numa misteriosa troca de dons, eles [no purgatório] intercedem por nós e nós oferecemos por eles a nossa oração de sufrágio ” (LR de 08/11/92, p. 11)
E reafirmou em 02/11/94, que:
“… os vínculos de amor que unem pais e filhos, esposas e esposos, irmãos e irmãs, assim como os ligames de verdadeira amizade entre as pessoas, não se perdem nem terminam com o indiscutível evento da morte. Os nossos defuntos continuam a viver entre nós, não só porque os seus restos mortais repousam no cemitério e a sua recordação faz parte da nossa existência, mas sobretudo porque as suas almas intercedem por nós junto de Deus”.